sábado, 5 de fevereiro de 2011

Reserva sim, ignorante não

Acabo de ler a carta do zagueiro reserva do Timão, Paulo André e espero que todos pensem reflitam.

Abaixo os dizeres dele em seu blog http://pauloandre-13.blogspot.com/

Verdadeiro amor

Antes de começar meu relato, quero deixar claro que entendo o que é ser corintiano e respeito o que isso proporciona aos nossos corações! Jogar no Corinthians é diferente de tudo. É respeitar uma cultura, é como ser chamado para a guerra para defender uma nação.

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Ontem, ficamos quase uma hora para sair do nosso local de trabalho, porque torcedores protestavam e ameaçavam qualquer um que esboçasse aparecer no estacionamento do clube. Hoje, saímos escoltados por uma barricada de policiais que tentavam impedir que os protestantes jogassem pedra no ônibus. Bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra esses que tentam destruir o patrimônio do clube que dizem amar. É paradoxal! Não quero minimizar esse sentimento, mas essa demonstração de amor é que é difícil de entender.
Por outro lado, acho válido protestar, reivindicar mudanças e melhoras, exigir alternativas para o crescimento daquilo que amamos. Mas para isso, há a necessidade de saber pra que e por que se está protestando. Se for uma simples forma de descontentamento e oposição, não vejo resultados que ajudem o time a levantar nesse momento.


Contestar mudanças para o bem do clube, tirar esse ou aquele jogador, ou até mesmo trocar todos os jogadores se for necessário, é valido e essas questões devem ser discutidas. Mas passar do protesto para agressão física ou ameaça, não levará o time a lugar nenhum, ou no máximo, o levará ainda mais para baixo.

Gostaria que essas mesmas pessoas que fazem esses protestos se mobilizassem também em prol do Brasil, e tivessem um sentimento de lutar pelo desenvolvimento da nossa pátria. Talvez dessa forma, sairiam às ruas para protestar contra políticos, mensalões, Erenices, enchentes e salários de deputados e senadores.

Gostaria que eles não aceitassem as condições de vida a que somos expostos, a educação e o transporte público precários a que somos submetidos diariamente e consequentemente, que parassem de depositar toda a sua alegria e esperança nos seus times do coração. Quando eles perdem ou fracassam, toda sua expectativa de ser feliz se escoa pelo ralo, gerando raiva e insatisfação, como se toda sua miséria, dor e dificuldade fossem causadas por aquela derrota.

A política do pão e do circo continua dando frutos no nosso país. Os governantes ludibriam o povo, e os fazem acreditar que comida e diversão são suficientes para que as pessoas não se envolvam com questões de governo. Esses que estão sobre todos nós, extrapolam e apoiam os esportes e as conquistas para que esse efeito “tudo está bem se o futebol estiver bem” seja uma verdade absoluta, sem se importar com o crescimento do país e do povo pelo qual foram escolhidos a defender.

Se analisarmos os baderneiros froidianamente, creremos que eles não têm tanta culpa por suas atitudes, já que estão com vendas sobre os olhos, reagindo aos seus próprios costumes, como um efeito cultural. Analisando pela esfera de quem acredita no direito à opinião (e foi por isso que criei o blog) não consigo enxergar de outra maneira senão pensar que esses não são verdadeiros torcedores corintianos. Penso que os verdadeiros apaixonados amam o clube sem egoísmo, sem exigir nada em troca, como o sentimento de um pai por um filho ou de um homem por sua mulher. Os pais ficam tristes quando um filho repete de ano, mas nem por isso o agridem (apesar da tristeza). Pelo contrário, lhe dão forças e ferramentas para que ele possa superar aquela dificuldade.

Amar o Corinthians quando o Corinthians ganha, é gostoso. Amar o Corinthians quando tudo está bem, é fácil.

Mas nenhum clube de futebol vive só de títulos!

A derrota é amarga, não só para a torcida, mas para todos os envolvidos. Para o torcedor, seu time de coração perdeu e isso é revoltante, eu entendo. Mas para quem está lá dentro, é um fracasso pessoal e profissional.

A torcida entoa hinos de “maloqueiro e sofredor, graças a Deus” reconhecendo que muitas vezes ser torcedor não é uma tarefa fácil. Indubitavelmente, todos admitem que os 23 anos de fila, exterminados em 77 com o gol de Basílio, fizeram bem ao clube (apesar de todo o sofrimento), pois tornou apaixonada a sua torcida, diferente de qualquer outra já existente no planeta.

Lembremos da história, façamos dela um professor para o que está por vir. Utilizemos a derrota para fortalecer nosso clube e o amor que sentimos por ele. “Teu passado é uma bandeira, teu presente uma lição”. Não vamos parar de lutar. Aqui é Corinthians.

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