segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Falta de incentivo impede crescimento do rugby no país

(Matéria do começo do ano, está no Jornal Expressão da Universidade São Judas Tadeu do mês de Junho)

Sem patrocinadores fortes, investimentos e praticamente esquecido pelos meios de comunicação do país, o rugby busca mais espaço na terra onde reina o futebol. Criado e idealizado para ser um esporte que prioriza a amizade, a lealdade e as regras, além do companheirismo, o rugby está atualmente entre os esportes mais praticados no mundo.

Mesmo sem atrair o público e a mídia do país, o rugby conta, segundo o site da Associação Brasileira de Rugby (ABR), com o terceiro evento esportivo mais importante do planeta, que é a Copa do Mundo, atrás apenas das Olimpíadas e da Copa do Mundo de Futebol.

Passados mais de 70 anos da primeira partida da seleção nacional, o esporte ainda caminha a passos lentos. Parte da responsabilidade é da própria imprensa, que fala pouco sobre o jogo. Para o ex-jogador do SPAC e da seleção brasileira e hoje comentarista da ESPN, Rouget Maia, “a mídia trabalha onde tem dinheiro e retorno de audiência”, o que não ocorre atualmente no país.

Mas a culpa é também de quem regulamenta e controla o esporte, a ABR, que falha na organização de bons torneios. Funciona na verdade como uma cadeia de acontecimentos, como explica Rouget. “Campeonatos e times organizados geram interesse do público, identificação e formação de torcidas. A TV vai aparecer e com ela o patrocinador”, diz ele.

A falta de apoio é tamanha que a seleção feminina (atual pentacampeã sul-americana) precisou fazer um calendário sensual para tentar arrecadar dinheiro para a disputa do Mundial feminino em Dubai, em março de 2009.

O Mundial foi o primeiro da categoria a ser disputado no sistema de ‘sevens’. “No rugby existem duas modalidades, uma de 15 jogadores de cada lado e outra de sete, também chamada Sevens”, explica o administrador do site rugbymania.com.br, Tárcio Corá.

Mas a forma mais tradicional do jogo é mesmo a de 15 jogadores, tendo a Copa do Mundo como sua principal competição. A próxima edição acontecerá em 2011, na Nova Zelândia. No Brasil os campeonatos regionais se destacam no primeiro semestre, e o segundo fica reservado para o nacional. “Os campeonatos começam na metade de março, começo de abril. Paulista A, Paulista B, Paulista do Interior, Fluminense A e Fluminense B são alguns deles. O Brasileiro é disputado a partir de agosto”, diz Corá.

O maior campeão Brasileiro é o SPAC com 12 títulos, porém seu último triunfo foi em 1999. O atual campeão nacional é o São José Rugby Club que forma a base da atual seleção. Sobre a possibilidade do seu ex-time lutar pelo título este ano, Rouget mostra confiança. “O SPAC nunca terá um time ruim, a tradição é grande. O clube tem um grupo unido e renovado, com a mescla entre experiência e juventude”, comenta.

Origem

A história mais difundida é que o esporte surgiu na Inglaterra, em 1823. Segundo os relatos teria surgido em um colégio chamado Rugby School, quando estudantes jogavam futebol e um atleta teria pegado a bola com as mãos e corrido com ela até o fim do campo adversário, onde os jogadores tentavam agarrá-lo.

Somente em 1871 aconteceu a primeira partida oficial, na Escócia quando a equipe local venceu a Inglaterra. Após 12 anos surgiu o torneio de seleções Home Nations, disputado por Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales. Em 1910 a França passou a integrar o grupo, que tornou-se Five Nations. Em 2000 a Itália entrou para esse seleto grupo e o campeonato passou a ser conhecido como Six Nations, um dos torneios mais importantes e antigos do mundo.

O jogo chegou ao Brasil somente no fim do século XVIII. Em meados da década de 20 começou a ser disputado com uma maior freqüência. A primeira partida foi disputada apenas em 1932 quando enfrentou a África do Sul.

Abaixo a capa do Expressão. Rugby como matéria de capa da editoria de esportes.


Imagens: Tárcio Corá
Expressão: Prof. Ieda Santos

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